Elite, Pinheiral e Cidade do Aço – assumirão temporariamente linhas atualmente operadas pela Viação Sul Fluminense.

Na entrevista concedida ao programa, na última quinta-feira, o prefeito Samuca Silva anunciou sua decisão de intervir no Sistema de Transporte coletivo da Volta Redonda e iniciar providências para a realização de concorrência pública, com o objetivo de melhor o atendimento à população. No dia seguinte, sexta-feira última, assinou um decreto de intervenção nas autorizações, permissões e ordens de serviço relacionadas a pelo menos dez linhas do sistema. Com a medida, conforme informou o governo, outras três empresas – Elite, Pinheiral e Cidade do Aço – assumirão temporariamente linhas atualmente operadas pela Viação Sul Fluminense. A previsão é de que esta substituição comece a acontecer amanhã, terça-feira, 14 de maio.

O decreto está disponível na página oficial do município na internet. Ainda não foram determinadas em quais linhas da Sul Fluminense as outras empresas passarão a operar. O texto menciona ainda o caráter precário da concessão do transporte coletivo na cidade e que, antes de tomar a medida, classificada como “drástica”, foi assegurado à Sul Fluminense “o direito de ampla defesa e resposta”.

O decreto cita as reclamações de usuários recebidas diretamente pela Suser (Superintendência de Serviços Rodoviários) e ofícios com pedidos de providência de associações de moradores, como a do São Luiz, de junho do ano passado, se queixando do “péssimo serviço prestado”, como a quebra de veículos, não cumprimento de horários e acidentes envolvendo ônibus da empresa. O decreto fala de colisões, batidas em poste, ônibus subindo em calçadas (por falha de freios) e até soltura de rodas e volantes. Também é citado um abaixo-assinado de moradores do Eucaliptal, apontando ônibus com cadeiras rasgadas e pneus carecas.

O prefeito levou em conta também, conforme consta no decreto, que a Sul Fluminense incluiu apenas em 33,3% de sua frota plataformas para cadeirantes. Outro ponto considerado por Samuca foram reuniões realizadas com a Sul Fluminense, em dezembro do ano passado, com a finalidade de discutir a melhoria dos serviços, “não sendo demonstrado pela empresa qualquer medida efetiva neste sentido”.

Observa ainda o decreto que, até a data de sua edição, foram registradas pela fiscalização 412 irregularidades em veículos da Sul Fluminense, como transporte irregular, não cumprimento de horários, ônibus danificados e problemas de acessibilidade. Cita ainda a retirada de circulação de 25 ônibus por irregularidades como ruídos, problemas nas rampas de acesso, assoalho e outros defeitos.

O decreto aponta ainda o fato de que, em 19 de fevereiro deste ano, a empresa já tinha sido notificada sobre as deficiências no serviço e cita um ofício da empresa à prefeitura considerando “insignificantes” o número de reclamações em comparação com o total de passageiros transportados.

Desde que Samuca antecipou aqui no programa Dário de Paula, que iria intervir no serviço prestado pela empresa, funcionários da Sul Fluminense estão se mobilizando, pois temem ficar desempregados. Hoje, segunda-feira, eles pretendem fazer manifestação em frente ao Palácio 17 de Julho. Depois, pretendem se dirigir à Câmara de Vereadores. Eles citam como exemplo o que ocorreu com a Viação Agulhas Negras, também em Volta Redonda, na década passada, e também em Resende e em Barra Mansa.

Por sua vez, o Sindicato dos Rodoviários já informou aos trabalhadores que pretende mobilizar oMinistério Público do Trabalho para que os funcionários não saiam prejudicados. A participação do sindicato nas discussões, no entanto, está sendo veementemente contestada por muitos empregados da empresa.

Desde sábado, segundo uma fonte ligada à direção, a Sul Fluminense está se mobilizando para tentar suspender, na Justiça, o decreto assinado por Samuca. Desde a última quinta-feira, após a entrevista do prefeito, o PROGRAMA DÁRIO DE PAULA se colocou à disposição da empresa de ônibus para se manifestar a respeito da decisão do governo municipal.

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